Respeitar para ser respeitado

Os ciclistas precisam que lhes lembrem?

Respeitar o espaço de um veículo que pode ter quase 2 toneladas e andar a 80 km/h não parece ser algo muito necessário.

O carro é um espaço pessoal?

A ideia que um toque no carro é o mesmo que tocar na pessoa mostra até que ponto esta noção de reciprocidade é levada. Nos carros várias zonas são pensadas como zonas de deformação e impacto para salvaguardar a vida dos ocupantes.

Existe igualdade?

As discussões escondem habitualmente que a segurança dos ciclistas está em grande parte dependente dos condutores e não nas suas mãos.

Muitas das situações mais complicadas tem a ver com hierarquia, subalternização, marginalização, dominação, exclusão, intimidação e violência mesmo que praticada só por alguns.

Se os condutores não considerarem que existe essa igualdade fica uma relação fortemente assimétrica tanto em termos físicos como culturais.

Os carros mandam na estrada

Existe interesses económicos e políticos por trás do carro e mesmo a nível cultural e social a visão que se tenta passar dos carros pode ser vista como os anúncios que apontam liberdade, poder e autonomia.

Os impactos negativos dos automóveis ao nível de poluição, ocupação do espaço público, custo das infraestruturas, os feridos e mortos dos acidentes são largamente ignorados.

Mesmo ao nível de tribunais e polícia existem diferenças de tratamento.

A lei deve refletir a realidade da estrada

Ter 1,5m de distância e um tratamento diferenciado para utilizadores vulneráveis são formas de os proteger que se sobrepõe às ideias de igualdade entre todos.

O tratamento especial e diferenciado a utilizadores vulneráveis permite um maior equilíbrio no uso da estrada.

Deixar isto apenas ao voluntarismo de alguns condutores dará mau resultado.